Rombo dos corruptos vale uma Bolívia

Um valor equivalente à economia da Bolívia foi desviado dos cofres do governo do Brasil em apenas sete anos, de 2002 a 2008. A informação é da Folha de S. Paulo deste domingo, 4 de setembro. A reportagem de Mariana Carneiro faz o cálculo com informações de órgãos públicos. Segundo o texto, R$ 40 bilhões foram perdidos com a corrupção neste prazo, o que equivale a R$ 6 bilhões por ano. Todo este dinheiro encheu os bolsos de corruptos e deixou de ser devolvido ao povo.

Esses recursos poderiam ampliar em 23% o número de famílias beneficiadas pelo Bolsa Família, que hoje chega perto de R$ 13 milhões ou construir saneamento em 25 milhões de moradias reduzido o quadro atual pela metade.

Podem parecer números pequenos. Mas são fruto de escândalos políticos em todo o país. Na última década, estima-se que ao menos R$ 6 bilhões desapareceram por ano no caminho que leva os recursos federais de Brasília para os municípios, onde deveriam resultar em ações sociais e de infraestutura.

A matéria traz vários depoimentos de autoridades no tema:

Um dos pontos mais vulneráveis à corrupção tem o aval da Constituição brasileira. Trata-se da possibilidade de nomeação de cargos públicos. A afirmação é de Claudio Weber Abramo, diretor da ONG Transparência Brasil.

Para Abramo, a distribuição de cargos é o maior gerador de corrupção no país, pois resulta na compra de apoio no Legislativo e evita, por fim, a fiscalização do governo.

Para o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), o combate à corrupção no Brasil está fragilizado. Segundo Torres, as leis do país são insuficientes e a “cabeça dos juízes” está condicionada para soltar os criminosos.

O ministro-chefe da CGU (Controladoria-Geral da União), Jorge Hage, defende a aplicação da Lei da Ficha Limpa para todo ocupante de cargo público –mesmo os não eletivos.

Para ele, o excesso de recursos permitidos pela legislação penal no Brasil afasta o risco de punição dos corruptos.

Para, o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega (1988-1990) avalia que a corrupção no Brasil se dá pelo fato de os corruptos não terem percepção de risco. O economista defende a ampliação da educação no país para tornar a sociedade menos passiva.

Segundo ele, o financiamento público das campanhas eleitorais não reduzirá a corrupção no Brasil.

“Um político que se inicia na vida política, começa as ‘bandalheiras’ no financiamento da campanha”, diz o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Segundo ele, campanhas bancadas apenas por dinheiro público mudariam completamente a forma de fazer política no país. Veja comentário aqui.

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