Progresso das nulidades

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Políticos em geral deveriam ser proibidos de divulgar projetos de lei ou matérias de cunho futurista. Aliás, esta deveria ser uma grande preocupação do jornalismo brasileiro, de não dar vasão para esse tipo de publicação.
O que ocorre é que assim que tem determinada ideia e a transforma em “projeto”, o político já sai alardeando, através de sua assessoria, que está tomando esta ou aquela providência. Isso gera uma falsa informação, pois um “projeto” nada mais é do que um “projeto”, como o próprio nome diz. O cidadão, sem muito cuidado numa leitura ou a ouvir esta informação, já toma com se fosse um fato consumada.
Outra questão é quanto à aplicabilidade de leis vigentes. Muitas chegam a ser aprovadas, mas jamais saem do papel. Uma infinidade incontável de leis que estão em vigor, mas que jamais chegaram a ser cumpridas. Isso é politicagem, é promessa não cumprida, é pirotecnia política para montar estatísticas e fazer “ibope”.
Se o jornalismo começar a se ater com estas questões, certamente restringirá sobremaneira a “notoriedade” de alguns políticos que se tornaram especialistas em anunciar legalidades ilegais, leis que não saem do papel, além de gerarem falsa expectativa de que estão executando gigantescos trabalhos, quando “só querem aparecer para a torcida”.
São notícias geralmente recheadas de “estamos elaborando um projeto”, “pretendemos apresentar matéria sobre…”, “estávamos viabilizando a instalação de…”, “queremos executar esta obra…”, “estruturamos o lançamento de…”, sempre com a condicional evidente, mas que passa despercebido pelo público em geral.
Isso funciona mais ou menos como uma “avant-première” ou “degustação”, como preferente os marqueteiros. Se pegar bem, fica como conquista positiva, se encontrar resistência, vai para o esquecimento da memória quase sempre curta da população, preocupada com suas principais emergências.
Façam um exercício de análise dos pronunciamentos dos nossos parlamentares e executivos. Coloquem na balança e produzam estatísticas do quanto eles “trucam” e nos fazem de palhaços com seus estardalhaços de divulgação. E jornalistas: atentos para os oportunistas, pois vocês podem estar contribuindo involuntariamente para o progresso das nulidades.

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