Quem controla o barulho? As leis? As polícias? As autoridades?

OSNI GOMES – Jornalista

Comentei rapidamente hoje, pelo facebook, sobre um motoqueiro barulhento que passa todas as noites próximo de minha casa, nas Mercês, em Curitiba, acordando crianças, perturbando idosos, assustando as pessoas com o seu escapamento aberto. Este é apenas o descontentamento de alguém que não é tolerante com o excesso de barulho.

Uma resposta simples e contundente é: “os incomodados que se mudem!”. Mas o barulho não é uma coisa que nasce com a gente. Não tem propósito e nem beneficia ninguém. O barulho de carro, de motos, de escapamentos abertos satisfaz apenas o ego de um maluco qualquer que sente prazer em sair marcando a sua presença através da perturbação da ordem.

Não consigo entender porque as autoridades do trânsito são tão acomodadas com esses cidadãos, quando poderiam apreender e exigir o cumprimento de padrões máximos de barulho que cada um pode fazer. Já andamos tão estressados, tão impedidos, tão reféns, que é compreensível que alguém se revolte, como eu me revolto, com essa gente provocadora de barulho e nada mais.

Eu imagino, e aqui não vai nenhum preciosismo de legalidade, que oficinas e especialistas nestas máquinas fossem obrigados, por força de lei, não permitir a abertura de escapamentos ou a adequação dos equipamentos que saem de fábrica. Não há razão para adaptações. E que todo cidadão que fosse apanhado com sua máquina fora dos padrões legais, poderia perdê-la ou seria obrigado a só circular quando tivesse novamente o padrão original restabelecido.

Fui jovem, arrojado, gostava de esbanjar a minha juventude, mas sempre fui comprensivo com o direito de terceiros, fossem jovens, crianças ou idosos. Eu não entendo como parlamentares que tanto ganham não sejam capazes de observar essas coisas e não estabelecer limites legais, pelo poder legislativo que tem.

Não compreendo como fiscais policiais não estejam atentos a estes problemas e que fiquem somente a espera da reclamação das pessoas para então combater esse tipo de prática. A sociedade é tão moderna, tão aparelhada para cobrar impostos, mas tão inerte e tão inoperante na hora de cumprir com suas obrigações.

Onde ficam os legisladores, ondem ficam os comandos de policiamento, onde estão nossas autoridades, passivas ao crime de perturbação do sossego e do bom relacionamento? É certo que muitos motoqueiros tem que trabalhar com suas máquinas, que outros tantos tem o direito de passear e se divertir com seus aparelhos de locomoção, mas por que não os fazem dentro dos princípios de bom viver, de cumprimento da lei, de obediência aos bons costumes?

Temos que ser uma sociedade de depravados, de infratores, de burladores das normas para dar emprego e trabalho para os que cuidam da manutenção das regras? Por que não aprendemos por nossos próprios interesses a viver em comunidade e a respeitar as pessoas, inteligentes que somos?

Por que temos comportamento selvagem, agressivo, estúpido? Só porque nossas autoridades são igualmente selvagens, agressivas, estúpidas e coniventes com esses tipos de comportamentos?

Que pena que precisamos do “quanto pior melhor” para mostrarmos o quanto idiotas somos e quanto de idiota nos fazemos, incomodando quem quer paz e harmonia!…

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