O que sobrou do discurso na ONU?

OSNI GOMES – jornalista

O discurso foi ruim, mal lido e os argumentos extremamente pobres e inverídicos, pra não tachar diretamente de mentiroso. Bolsonaro teve tempo de ler, reler, ensaiar e assim mesmo foi sofrível.
Independente de sua dificuldade de comunicação, o conteúdo foi um bla-bla-blá que só conseguiu encantar o próprio eleitorado. O cidadão brasileiro, que esperava um chefe de estado discursando, só ouviu do mesmo de sempre.
Vitimou-se como nunca, alegando uma “campanha brutal de desinformação”, referindo-se ao meio ambiente, como se o mundo todo não soubesse o que está ocorrendo na Amazônia e no Pantanal.
Tentou disfarçar, dizendo que as queimadas ocorrem sempre nos mesmos locais, provocadas por índios e caboclos para limpar suas áreas de cultivo. Acusou mais uma vez, sem qualquer prova ou certeza, que o derramamento de óleo no litoral brasileiro foi uma ação da Venezuela. Só faltou dizer que as barreiras de Brumadinho também foram culpa de conspiradores ao seu governo.
Sobre a pandemia, voltou a responsabilizar a imprensa por “espalhar a histeria”, condenou o isolamento social e atribuiu à quarentena o atual resultado econômico que o seu governo não consegue resolver.
Pelo menos redimiu-se, de outros pronunciamentos, quando lamentou as centenas de mortes. Mas ficaria inapropriado chamar os defuntos de bundões numa hora tão solene e aos ouvidos do mundo inteiro.
Chegou, pasmem, a fazer “um apelo a toda comunidade internacional pela liberdade religiosa e pelo combate à cristofobia”. Um parágrafo, de todo o texto, digno do pensamento maluco, só pode ser, da ministra Damares, em seus devaneios de goiabeira, provavelmente relembrando os tempos em que recomendava a pastora Flordelis para o parlamento brasileiro pela sua “integridade e valor religioso”. Ou ainda desfrutando do rompante do ministro general Ramos, que atribui chuva no Mato Grosso à visita de Bolsonaro, afirmando que “Deus está com o presidente”.
De resto uma coleção de auto-elogios ao pífio governo e que nada acrescenta à Nação, a não ser o massagear no ego dos eleitores que precisam justificar a asneira que cometeram ao eleger esse homem para Presidente do Brasil.

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