Notáveis


O valioso tempo dos maduros

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. O valioso tempo dos maduros As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço. Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral. As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa… Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade… Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial!

Mário de Andrade

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Gandhi, um símbolo da paz!

A não-violência absoluta é a ausência absoluta de danos provocados a todo o ser vivo. A não-violência, na sua forma ativa, é uma boa disposição para tudo o que vive. É o amor na sua perfeição.

Eu sou contra a violência porque parece fazer bem, mas o bem só é temporário; o mal que faz é que é permanente.

A não-violência e a covardia não combinam. Posso imaginar um homem armado até os dentes que no fundo é um covarde. A posse de armas insinua um elemento de medo, se não mesmo de covardia. Mas a verdadeira não-violência é uma impossibilidade sem a posse de um destemor inflexível.

Como defender uma civilização que somente o é de nome, já que representam o culto da brutalidade que existe em nós, o culto da matéria.

Quando alguém compreende que é contrário à sua dignidade de homem obedecer a leis injustas, nenhuma tirania pode escravizá-lo.

Posso ser uma pessoa desprezível, mas quando a verdade fala em mim, sou invencível.

Mahatma Gandhi
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O poeta Vinicius de Moraes

Ternura
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma…
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.
Texto extraído da antologia “Vinicius de Moraes – Poesia completa e   prosa”, Editora Nova Aguilar – Rio de Janeiro, 1998, pág. 259.


Eu sei que vou te amar
(Vinícius) com Maria Creuza, Vinícius e Toquinho

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O mestre Millôr Fernandes

O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de “foda-se!” que ela fala (os portugueses devem estar no limite do stress).
Existe algo mais libertário do que o conceito do “foda-se!”?
O “foda-se!” aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. “Não quer sair comigo? Então foda-se!”.
“Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!”.
O direito ao “foda-se!” deveria estar assegurado na Constituição Federal.
Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos.
É o povo fazendo sua língua.
Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.
“Pra caralho”, por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que “Pra caralho”? “Pra caralho” tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?
No gênero do “Pra caralho”, mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso “Nem fodendo!”. O “Não, não e não!” e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade “Não, absolutamente não!” não o substituem.
O “Nem fodendo” é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo “Marquinhos, prestatenção, filho querido, NEM FODENDO!”. O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.
Por sua vez, o “porra nenhuma!” atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional.
Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um “é PhD porra nenhuma!”, ou “ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma! O “porra nenhuma”, como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha.
São dessa mesma gênese os clássicos “aspone”, “chepone”, “repone” e, mais recentemente, o “prepone” – presidente de porra nenhuma.
Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um “Puta-que-pariu!”, ou seu correlato “Puta-que-o-pariu!”, falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba…
Diante de uma notícia irritante qualquer um “puta-que-o-pariu!” dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.
E o que dizer de nosso famoso “vai tomar no cu!”? E sua maravilhosa e reforçadora derivação “vai tomar no olho do seu cu!”. Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: “Chega! Vai tomar no olho do seu cu!”. Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima..
Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: “Fodeu!”. E sua derivação mais avassaladora ainda: “Fodeu de vez!”.
Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação?
Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa.
Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? “Fodeu de vez!”.
Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se.

Millôr Fernandes

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Veríssimo, o inconfundível humor

Minha mulher e eu temos o segredo para fazer um casamento durar:
Duas vezes por semana, vamos a um ótimo restaurante, com uma comida gostosa, uma boa bebida e um bom companheirismo. Ela vai às terças-feiras e eu, às quintas.
Nós também dormimos em camas separadas: a dela é em Fortaleza e a minha, em SP.
Eu levo minha mulher a todos os lugares, mas ela sempre acha o caminho de volta.
Perguntei a ela onde ela gostaria de ir no nosso aniversário de casamento, “em algum lugar que eu não tenha ido há muito tempo!” ela disse. Então, sugeri a cozinha.
Nós sempre andamos de mãos dadas…
Se eu soltar, ela vai às compras!
Ela tem um liquidificador, uma torradeira e uma máquina de fazer pão, tudo elétrico.
Então, ela disse: “nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar pra sentar”.
Daí, comprei pra ela uma cadeira elétrica.
Lembrem-se: o casamento é a causa número 1 para o divórcio. Estatisticamente, 100 % dos divórcios começam com o casamento. Eu me casei com a “senhora certa”.
Só não sabia que o primeiro nome dela era “sempre”.
Já faz 18 meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la.
Mas, tenho que admitir: a nossa última briga foi culpa minha.
Ela perguntou: “O que tem na TV?”
E eu disse: “Poeira”.

Luís Fernando Veríssimo

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Victor Hugo descreve o Homem e A Mulher

O homem é a mais elevada das criaturas;
A mulher é o mais sublime dos ideais.
O homem é o cérebro;
A mulher é o coração.
O cérebro fabrica a luz;
O coração, o AMOR.
A luz fecunda, o amor ressuscita.
O homem é forte pela razão;
A mulher é invencível pelas lágrimas.
A razão convence, as lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos;
A mulher, de todos os martírios.
O heroísmo enobrece, o martírio sublima.
O homem é um código;
A mulher é um evangelho.
O código corrige; o evangelho aperfeiçoa.
O homem é um templo; a mulher é o sacrário.
Ante o templo nos descobrimos;
Ante o sacrário nos ajoelhamos.
O homem pensa; a mulher sonha.
Pensar é ter , no crânio, uma larva;
Sonhar é ter , na fronte, uma auréola.
O homem é um oceano; a mulher é um lago.
O oceano tem a pérola que adorna;
O lago, a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa;
A mulher é o rouxinol que canta.
Voar é dominar o espaço;
Cantar é conquistar a alma.
Enfim, o homem está colocado onde termina a terra;
A mulher, onde começa o céu.

Victor Hugo (26 de fevereiro de 1802 – 22 de maio de 1885) foi um escritor francês, autor de Les Miserábles (Os Miseráveis).

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Gabriel Garcia Marquez e o Jornalismo

Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte.”

Uma obsessão

Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco. (Memórias de Minhas Putas Tristes – Pg. 74)

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Ensinamentos de Confúcio

Não dar importância ao principal, quer dizer, ao cultivo da inteligência e do caráter, e buscar somente o acessório, quer dizer, as riquezas só podem dar lugar à perversão dos sentimentos do povo, o qual também valorizará unicamente as riquezas e se entregará sem freio ao roubo e ao saque.

Se o príncipe utiliza-se das rendas públicas para aumentar a sua renda pessoal, o povo imitará esse exemplo e dará vazão às suas mais perversas inclinações: se, pelo contrário, o príncipe utilizar as rendas públicas para o bem do povo, este se lhe mostrará submisso e se manterá em ordem.

Se um príncipe ou os magistrados promulgam leis ou decretos injustos, o povo não os cumprirá e se oporá a sua execução por meios violentos e igualmente injustos. Quem adquire riquezas por meio violentos e injustos do mesmo modo as perderá por meios violentos e injustos.

Só há um meio de aumentar as rendas públicas de um reino: que sejam muitos os que produzam e poucos os que gastam; que se trabalhe muito e que se gaste com moderação. Se todo o povo trabalhar assim, os rendimentos serão sempre suficientes.

Para o bom governo dos reinos é necessária a observância de nove regras universais:

o domínio e o aperfeiçoamento de si mesmo, o respeito aos sábios, o amor aos familiares, a consideração aos ministros por serem os principais funcionários do reino, a perfeita harmonia com todos os funcionários subalternos e com os magistrados, as cordiais relações com todos os súditos, a aceitação dos conselhos e orientações dos sábios e dos artistas de quem sempre se deve rodear-se o governante, a cortesia com os transeuntes e estrangeiros e o trato honroso e benigno com os vassalos.

O bom governo é acima de tudo uma força moral que constrange o potencial negativo e anti-social do delinqüente, do malvado e do fraudador, cerceando-os, obrigando-os a seguirem as regras do bom convívio desejado pela coletividade.

Entende-se assim o dito de Confúcio de que “a virtude do príncipe é como o vento agindo sobre a erva da plebe. A erva sempre se curva quando o vento sopra sobre ela.”

Descrevendo a cronologia da sua marcha pessoal em direção á sabedoria, Confúcio disse:

“Aos 15 anos meu coração concentrou-se com rigor nos estudos, aos 30 anos pude manter-me em pé, aos 40 abandonaram-me as dúvidas, aos 50 anos conheci o Decreto dos Céus. Aos 60 anos, meus ouvidos abriram-se docemente para a Verdade, aos 70 anos pude seguir os desejos do meu coração sem transgredir nunca com a regra.

Aplicai o vosso coração ao Tao (a doutrina).

“Que maravilhoso seria aprender pela manhã o que é o Tao e morrer pela tarde.”

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MÁRIO PRATA, O PENSADOR

Aos 65 anos de idade Mário Alberto Campos de Morais Prata, mineiro de Uberaba é um escritor, dramaturgo e jornalista brasileiro. Aos dez anos de idade já escrevia, no interior de São Paulo “numa velha Remington no laboratório de meu pai (…) crônicas horríveis, geralmente pregando a liberdade e duvidando da existência de Deus”. Cedo na vida, transformou-se no redator do jornalzinho da escola. Vizinho do jornal A Gazeta de Lins, com 14 anos começou a escrever a coluna social com o pseudônimo Franco Abbiazzi.

Lia de tudo, principalmente Cruzeiro e Manchete, as revistas da época. Tanto que ganhou influência dos famosos Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Henrique Pongetti, Rubem Braga, Millôr Fernandes e Stanislaw Ponte Preta, que escreviam para essas revistas.

Morou dois anos em Portugal e criou o livro Schifaizfavoire, espécie de dicionário do português falado pelos portugueses.

Ficou famoso como escritor de telenovelas. Seu maior sucesso foi a novela global “Estúpido Cupido”, de 1976. Seu último folhetim foi “Bang Bang”, em 2005, em parceria com Carlos Lombardi. Após o fracasso desta abandonou a careira de telenovelista.

AMOR
Amor,
é quando a paixão
não tem compromisso marcado.Não.
Amor é um exagero… Também não.
Um dilúvio, um mundaréu,
uma insanidade, um destempero,
um despropósito, um descontrole,
uma necessidade, um desapego?
Talvez porque não tenha sentido,
talvez porque não tenha explicação,
esse negócio de amor…
Não sei explicar!

Mario Prata

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SÓCRATES, A IMORTALIDADE D’ALMA…

Uberto Rhodes

CONHECE-TE
A TI PRÓPRIO
E SERÁS IMORTAL …

“Alguns séculos antes de Cristo, vivia em Atenas, o grande filósofo Sócrates.
A sua filosofia não era uma teoria especulativa, mas a própria vida que ele vivia.
Aos setenta e tantos anos foi Sócrates condenado à morte, embora inocente.
Enquanto aguardava no cárcere o dia da execução, seus amigos e discípulos moviam céus e terra para o preservar da morte.
O filósofo, porém não moveu um dedo para esse fim; com perfeita tranqüilidade e paz de espírito aguardou o dia em que ia beber o veneno mortífero.
Na véspera da execução, conseguiram seus amigos subornar o carcereiro (desde daquela época já existia essa prática…), que abriu a porta da prisão.
Críton, o mais ardente dos discípulos de Sócrates, entrou na cadeia e disse ao mestre:
– Foge depressa, Sócrates!
– Fugir, por que? – perguntou o preso.
– Ora, não sabes que amanhã te vão matar?
– Matar-me? A mim? Ninguém me pode matar!
– Sim, amanhã terás de beber a taça de cicuta mortal – insistiu Críton.
– Vamos, mestre, foge depressa para escapares à morte!
– Meu caro amigo Críton – respondeu o condenado – que mau filósofo és tu! Pensar que um pouco de veneno possa dar cabo de mim …
Depois puxando com os dedos a pele da mão, Sócrates perguntou:
– Críton, achas que isto aqui é Sócrates?
E, batendo com o punho no osso do crânio, acrescentou:
– Achas que isto aqui é Sócrates? … Pois é isto que eles vão matar, este invólucro material; mas não a mim. EU SOU A MINHA ALMA. Ninguém pode matar Sócrates! …
E ficou sentado na cadeia aberta, enquanto Críton se retirava, chorando, sem compreender o que ele considerava teimosia ou estranho idealismo do mestre.
No dia seguinte, quando o sentenciado já bebera o veneno mortal e seu corpo ia perdendo aos poucos a sensibilidade, Críton perguntou-lhe, entre soluços:
– Sócrates, onde queres que te enterremos?
Ao que o filósofo, semiconsciente, murmurou:
– Já te disse, amigo, ninguém pode enterrar Sócrates … Quanto a esse invólucro, enterrai-o onde quiserdes. Não sou eu… EU SOU MINHA ALMA…
E assim expirou esse homem, que tinha descoberto o segredo da FELICIDADE, que nem a morte lhe pôde roubar.
CONHECIA-SE A SI MESMO, O SEU VERDADEIRO EU DIVINO. ETERNO. IMORTAL…”
Assim somos todos nós seres IMORTAIS, pois somos ALMA, LUZ, DIVINOS, ETERNOS…
Nós só morremos, quando somos simplesmente ESQUECIDOS…

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Consolo na praia

Carlos Drummond Andrade

Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humor?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento…
Dorme, meu filho.

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Manoel Carlos Karam, “originais e chacabum”

A primeira vez que cruzei com esta cabeça privilegiada de Manoel Carlos Karam foi durante uma confraternização entre jornalistas da Sucursal de Ponta Grossa e da matriz de O Estado do Paraná, lá em Ponta Grossa, no Costelão do Floriano Maichaki.
Presença de gente de primeira: Karan, Cláudio Della Benetta, Júlio Tarnoswski Jr, Ieda Matias, Fernando e Cristini Gerlach, Orlando Petchak e outros amigos daqui de Curitiba e de lá de PG. O sabor, uma costelada que o Floriano preparou com carinho, regado a mais original das cervejas, a Original de Ponta Grossa. De acompanhamento, Karam comandou o “Chacabum”, lembrando os The Beatles nos ensaios de Besame Mucho. Foi um dia inesquecível.
Depois convivemos anos através da profissão e trocamos muitas informações.
Sempre tive, como todos seus amigos, imagino, uma admiração ímpar pelas idéias arejadas e sempre muito modernas de Karam.
Seu jeito desprovido de tratar um texto era alucinante, anos a frente do jornalismo convencional. Suas crônicas, fantástica.
E até hoje tenho saudades do seu tom satírico e bem humorado em tudo que fazia. Registro aqui uma de suas últimas crônicas, “chupada” lá do Blog do Zé Beto e que bem demonstra a intimidade desse gênio com o texto:

Um jogo infantil na idade adulta.
Eu era parceiro do amigo Clayton Taborda.
Foi no elevador do prédio dele.
Duas ou três pessoas ouviram uma história com tiroteio,
marcas de balas nas paredes do corredor do quinto andar,
cheiro forte de pólvora.
Uma história de polícia e bandido.
Se fosse a notícia no jornal, pingaria sangue da primeira página.
A nossa conversa era detalhada, dramática.
Impossível não ser ouvida pela platéia do elevador.
Mas certos detalhes eram surrupiados, criando curiosidade.
Vamos lá, sem modéstia, criando suspense.
Aproximava-se a hora do desenlace da história.
Porém, ai, porém.
O elevador parou.
Nós saímos com a história em andamento.
A audiência no elevador ficou sem o final.
Talvez isto explique algumas das minhas crônicas.
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Charles Chaplin, o incomparável

“A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela
termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está
todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer
primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo,
até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo.
Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você
trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder
aproveitar sua aposentadoria.
Aí você curte tudo, bebe bastante álcool,
faz festas e se prepara pra
faculdade.
Você vai pro colégio, tem várias namoradas, vira
criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um
bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus
últimos nove meses de vida flutuando….
E termina tudo
com um ótimo orgasmo!!!
Não seria perfeito?”

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O vampiro de Curitiba

No aniversário dos dez anos,  melhor presente:
uma lata de balas Zequinha.
Fui na cozinha atrás da copeira, o dobro da idade e tamanho.
“Quer uma bala, Ana?”
Quero.
“Então levante o vestido.”
Ela ergueu um tantinho – e eu fui dando bala.
Acima da covinha do joelho uma nesga imaculada.
Em grande aflição:
“Levante mais um pouquinho.”
Ai, se pudesse ver a calcinha.
Com a lata cheia de balas,
um colibri naninco nas asas da luxúria.
A Ana descalça no terreiro, euno degrau da escada.
Boca da noite, o lampião da cozinha alumiava as pernas,
ela suspendia o vestido com a mão esquerda,
um lado mais que o outro – nunca verás, criança.
Sim, eu vi: duas coxas inteiras,
fosforescentes de brancas.
E o que eu fiz nem precisa dizer.
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Faris Antonio Michaele, para nunca esquecer

O Centro Cultural Euclides da Cunha (CCEC) foi a primeira biblioteca aberta ao público em Ponta Grossa, Paraná. Seus freqüentadores eram, na maioria, estudantes do Colégio Regente Feijó, escola onde Faris Antonio Michaele lecionava. Diz-se que “Antes de Faris, a cidade era toda voltada para as atividades comerciais e industriais, (…). Sem biblioteca pública, sem memória, sem literatura… Os poetas, minguadíssimos, os escritores, os oradores agindo por conta própria, isolados, sem objetivos”.

Percebe-se que a vida do professor Faris Michaele, suas atividades diárias, suas preocupações eram direcionadas para o desenvolvimento de cultura para a cidade: “Depois do advento de Faris, quer por sua ação direta, ou simplesmente catalisadora, começou a época de fastígio cultural da cidade, seus anos de ouro”.

O acervo do CCEC é dividido em dois: a biblioteca de Faris, com 7.547 títulos de livros, e a biblioteca Centro Cultura Euclides da Cunha que possui por volta de 4.390 títulos. Esta última recebeu doações de seus membros, durante toda a sua existência, espalhados por várias cidades do Brasil, da América Latina e, claro, por aqueles de Ponta Grossa.

A biblioteca de Faris Michaele “é” composta de livros que ele mesmo adquiriu com etiquetas de sebos e livrarias, principalmente da região. A mais comum encontrada era a Livraria Montes, localizada em Ponta Grossa. Poderíamos dizer que o CCEC era um espaço para aqueles que tinham gosto pela leitura.

Segundo a descrição de Eno Theodoro Wanke, O Centro Cultural Euclides da Cunha foi não só “a meninas dos olhos” de Faris, mas especialmente a sua maneira de dar a Ponta Grossa a oportunidade de ser uma cidade civilizada, inserida no contexto mundial, conhecida por todos como um pólo irradiador de cultura.

Tive o prazer de conhecer e conviver alguns anos com o professor Faris, ainda quando eu trabalhava na sucursal de O Estado do Paraná, na Praça Barão de Garaúna, em Ponta Grossa. Seguidamente o professor Faris ia me levar seus escritos para publicar e passávamos horas conversando sobre seus intercâmbios latino-americanos. A época ele trabalhava seu último escrito, “Cepa Esquecida”, mostrando brasileiros ilustres de sangue indígena.
Faris continua sendo uma figura notável, para nunca mais esquecer!
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Quanto mais nos elevamos, menores parecemos
aos olhos daqueles que não sabem voar.

Friedrich Nietzsche

“Meus contemporâneos não me ouviram, sequer me viram.”

Nietzsche se considerava um homem à frente de seu tempo, pois na época em que viveu não encontrava alguém que o entendesse.
Rejeitando o que ele dizia ser a tendência dos alemães, que ele dizia serem influenciados pela cultura que ensina desde o inicio a perder a realidade de vista, para correr atrás de “ideais”, Nietzsche via a realidade sendo despojada de seu valor, seu sentido, sua veracidade, na medida em que se forjava um mundo ideal, uma mentira ideal.
Todos temem a verdade, e além disso, como o próprio Nietzche disse, “não se tem ouvido para aquilo a que não se tem acesso a partir da experiência.”
Talvez por isso até hoje não haja muitas pessoas que se disponham a tentar entender o que ele pensava, e que quem tente, não saiba muito bem o que ele quer dizer com tudo o que diz.
“Não sou um homem, sou dinamite.” E assim sendo, Nietzsche estava ali para causar destruição onde chegasse, pois para ele um filósofo deveria causar desordem, provocar, e destruir os valores por onde passasse.
“E quem um criador quiser ser (..), deverá ser primeiro um destruidor, e despedaçar valores.”
Por Blog CCAL, idealizado por Kelly Conde (http://bit.ly/n3VLfo)

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“Leonard White” e a justiça

O cinema muitas vezes nos revela surpresas. O filme “A Fogueira de Vaidades”
recebeu cinco indicações ao Framboesa de Ouro, nas categorias “Pior Filme”, “Pior Diretor”, “Pior Atriz” (Melanie Griffith), “Pior Atriz Coadjuvante” (Kim Cattrall) e “Pior Roteiro”.
Para este trabalho o contrato do ator F. Murray Abraham, estipulava que seu nome teria que aparecer logo após o título do filme ou não seria citado nos créditos.
Do elenco participaram Tom Hanks, Bruce Willis, Melanie Griffith e Morgan Freeman, que atrairiam um público maior.
O notável Morgan Freeman recebeu a quantia de dois milhões de dólares
pelo papel do “juiz Leonard White”.
Ao fim de um julgamento que se passa no filme, o juiz Leonard White, irritado com uma acusação que veio da platéia do juri, explicou em tom de autoridade o que é Justiça.
Tive o trabalho de anotar cada palavra que me chamaram a atenção e aqui estão:

“Justiça!
Justiça é a lei, é a tentativa frágil do homem
de estabelecer os princípios de decência.
E decência não é um acordo, não é uma oportunidade,
nem um contrato ou fraude.
A decência é o que os nossos avós nos ensinaram.
É parte de nós”

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Dalai Lama e a vida

Perguntaram ao Dalai Lama
“o que mais te surpreende na humanidade?”
E ele, com sua grande sabedoria, respondeu:

“Os homens!
Porque perdem a saúde para juntar dinheiro,
depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro,
esquecem do presente de tal forma
que acabam por não viver nem o presente nem o futuro.

E vivem como se nunca fossem morrer.
E morrem como se nunca tivessem vivido.”

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Emílio, o impecável, Menezes

EMÍLIO RETRATADO PELO CARICATURISTA K. LIXTO

 Em um de seus prediletos pontos de observação – a mesa de um bar – Emílio bebia com amigos quando vê passar uma pessoa com fama de conquistador, de nome Penha. Os amigos comentaram que Penha estava, no momento, sofrendo de males de amor não correspondido por uma mulher de duvidosa reputação. O poeta saiu-se com esta:

— Um homem que se diz Penca sofrendo por uma mulher que se disputa…
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Olavo Bilac – O poeta

O dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, certo dia abordou-o na rua e disse:
– Senhor Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o senhor tão bem conhece. Será que poderia redigir o anúncio para o jornal?
Olavo Bilac apanhou o lápis e papel e escreveu:

“Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortado por cristalinas e merejantes águas de um lindo ribeirão. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes na varanda”

Alguns meses depois, o poeta encontra-se com o comerciante pergunta-lhe se já havia vendido o sítio.
– Nem pensei mais nisso – disse o homem. Depois que li o anúncio, percebi a maravilha que tinha!
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text-align:center;”>Cecília Meirelles, poetisa e educadora

“Não me peça de graça a única coisa que eu tenho pra vender!”
(Cecília Meirelles)

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A lógica de Einstein

Duas crianças estavam patinando num lago congelado da Alemanha. Era uma tarde nublada e fria, e as crianças brincavam despreocupadas. De repente, o gelo se quebrou e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou. A outra, vendo seu amiguinho preso e se congelando, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças, conseguindo por fim quebrá-lo e libertar o amigo. Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:
– Como você conseguiu fazer isso? É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo, sendo tão pequeno e com mãos tão frágeis!
Nesse instante, o gênio Albert Einstein que passava pelo local, comentou:
– Eu sei como ele conseguiu.
Todos perguntaram:
– Pode nos dizer como?
– É simples, respondeu o Einstein.
– Não havia ninguém ao seu redor, para lhe dizer que não seria capaz.
‘Deus nos fez perfeitos e não escolhe os capacitados, capacita os escolhidos’.
Fazer ou não fazer algo, só depende de nossa vontade e perseverança.
(Albert Einstein)

Conclusão:
Preocupe-se mais com sua consciência do que com sua reputação. Porque sua consciência é o que você é, e sua reputação é o que os outros pensam de
você. E o que os outros pensam, é problema deles.

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 Deficiências
Mário Quintana
(escritor gaúcho * 30/07/1906  – + 05/05/1994) .

“Deficiente” é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições  de outras pessoas ou da sociedade em que vive.
“Louco” é quem não procura ser feliz com o que possui.
“Cego” é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem   olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.
“Surdo” é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
“Mudo” é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
“Paralítico” é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
“Diabético” é quem não consegue ser doce.
“Anão” é quem não sabe deixar o amor crescer. E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:
“Miseráveis” são todos que não conseguem falar com Deus.
“A amizade é um amor que nunca morre”.

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